Justiça afasta Laudir Coelho da presidência da Ceral de Anitápolis

JUSTIÇA AFASTA LAUDIR COELHO DA PRESIDÊNCIA DA CERAL DE ANITÁPOLIS

Na manhã do dia 25 de abril, por volta das oitos horas, agentes da Polícia Civil cumpriram a ordem judicial expedida pelo Juiz de Direito da 2ª Promotoria da Comarca de Santo Amaro da Imperatriz, Dr. Clovis Marcelino dos Santos.
Batida na Ceral e na casa de Laudir

A ação deflagrada em Anitápolis foi comandada pelo delegado da Polícia Civil de Santo Amaro da Imperatriz, Rodrigo Pires Green, e determinava a busca e apreensão de computadores e documentos na sede da Ceral. A operação se estendeu também para a residência do presidente da cooperativa de eletrificação, Laudir Pedro Coelho.

Afastamento e quebra de sigilo bancário

o Além das buscas, os agentes policiais também cumpriram uma medida cautelar. Esse tipo de ato de prevenção é promovido pela justiça quando ela considera que o fato é grave, que está comprovado risco de prejuízo ou que há, dentro da lei, motivo justo. A medida cautelar do juiz ordenava o afastamento do presidente da cooperativa, até o final daquele dia. Caso não cumprisse a ordem, Laudir seria preso. Após o deferimento das medidas cautelares, o Juiz responsável pelo caso, determinou que o processo passasse a tramitar em segredo de justiça. Para permitir que as investigações sejam completadas, o juiz determinou ainda a quebra de sigilo bancário das contas do presidente e da própria Ceral. As investigações fazem parte do Inquérito Policial instaurado pelo delegado Rodrigo Green e que apura indícios de crimes de desobediência, falsidade ideológica e fraude processual, todos supostamente cometidos pelo presidente da Ceral.

Operação rápida e Ceral fechada

Por volta das dez horas, os agentes que realizaram a operação já haviam deixado Anitápolis. A sede da Ceral ficou de portas e cortinas fechadas. E assim permaneceu durante todo o dia 25 e no dia seguinte, 26.

O Ronco apura

O trabalho de investigação da reportagem d’O Ronco do Bugio resultou no acesso ao conteúdo de parte dos documentos do processo. Destacamos alguns trechos do relatório preliminar e das conclusões do delegado Rodrigo Green.

Indícios de fraude nas eleições

“Foram analisados os documentos, havendo indícios razoáveis de várias irregularidades, notadamente referente às eleições para a Presidência da Cooperativa, onde foram incluídos diversos sócios com o intuito de aumentar o quórum de eleitores, objetivando votos para o atual presidente, fato este que se encontra bem documentado. Neste aspecto, destaco inclusive depoimentos que narram que até mesmo responsáveis por um circo que se instalou temporariamente na cidade foram incluídos no rol de associados para o fim acima destacado”.

Sonegação de informações

Nos documentos, são apontados vá- rios indícios de que informações são sonegadas aos associados. O Ronco do Bugio é citado, “friso que foi acostado matéria em jornal local, onde a repórter, no afã de entrevistar o acusado, não somente na condição de jornalista, mas também de associada da cooperativa, teve negada as informações, as quais deveriam estar à disposição de todo e qualquer associado”.

“Não se pode mais tolerar noticiais desta natureza” (trecho de documento do processo)

Por fim, os documentos apresentam uma conclusão: “Existem indícios suficientes, seja pelos documentos apresentados no Inquérito Policial ou pela própria ação cautelar de exibição em trâmite nesta comarca, que informações são sonegadas aos próprios associados, havendo fortes elementos que ensejam a própria nulidade na última eleição, sendo imperioso, neste quesito o próprio afastamento das funções da presidência do acusado Laudir Pedro Coelho”.

Advogado solicita mais medidas cautelares

O advogado Eduardo Kuerten, que representa Salésio Effting, entrou com uma nova demanda na justiça. Pede ao Juiz que sejam fornecidas ao seu cliente todas as informações colhidas no inquérito criminal, em especial aquelas provenientes da quebra do sigilo bancário e que digam respeito à gestão administrativa e financeira da Ceral. Kuerten requer, também, que a justiça defira uma medida cautelar de urgência para nomear um administrador judicial para a Ceral, durante o período necessário à conclusão dos trabalhos de investigação. O advogado propõe, ainda, que este administrador tenha poderes para realizar todo o processo de recadastramento do quadro associativo; para realizar perí- cia ou auditoria contábil nas contas nos últimos quatro anos da Ceral; e para enviar para a justiça Relatório Circunstanciado com todo o ocorrido.

Nova apreciação das contas e novas eleições

Eduardo Kuerten sugere, finalmente, que, após a conclusão dos serviços mencionados, o administrador judicial deverá convocar e coordenar uma Assembleia Geral Extraordinária com fins específicos para apreciar as contas da Ceral já submetidas a perícia e para coordenar, junto à Federação Cooperativas de Energia do Estado de Santa Catarina (Fecoerusc), uma nova eleição do Conselho de Administração e do Conselho Fiscal.

O passado exige

O advogado sugere uma alternativa, caso o juiz não acate o pedido de novas medidas cautelares. Que seja permitido à Salésio Effting, como autor da Notícia crime (ver ao lado), indicar um profissional de contabilidade para acompanhar todos os trabalhos anteriormente mencionados. Trata-se de “uma medida de transparência, para evitar a realização de atos simulados na realização deste recadastramento, fraudando mais uma vez este processo”, justifica o advogado.

Substituição provisória

Durante a operação, a reportagem d’O Ronco havia apurado que quem assumiria a presidência da Ceral seria o seu vice-presidente, Nivaldo (Dico) Vandresen. Fato que se confirmou no dia 27 de abril.

A Notícia Crime e os passos seguintes

Em 17 de dezembro do ano passado, o vereador de Anitápolis e associado da Ceral, Salésio Effting, representando outros associados, apresentou ao Ministério Público [2ª Promotoria da Comarca de Santo Amaro da Imperatriz] uma Notícia Crime. No documento, Effting relatava “estar ocorrendo na administração da Ceral, possíveis e prováveis práticas de atos delituosos administrativos”.

Apresentando provas e testemunhos de crimes, que poderiam ser comprovados com a instauração de um Inquérito Policial, a Notí- cia Crime pedia uma investigação sobre a falsidade no cadastramento de sócios; o desvio de finalidade na gestão dos recursos financeiros da Ceral; e possível prática de apropriação indébita de recursos da cooperativa, entre outros delitos. A promotora de justiça, Dra. Lara Peplau, determinou a instauração do Inquérito Policial já no dia seguinte, 18 de dezembro. No mês de janeiro de 2016, o delegado Rodrigo Green foi designado como responsável pelo caso.

Fala, o delegado
Delegado da Polícia Civil, Rodrigo Green

Na terça-feira, 27 de abril, um dia após a operação em Anitápolis, O Ronco do Bugio conseguiu contato com o delegado Rodrigo Green. Inicialmente, surpreso, ele brincou, perguntando como roncava esse Bugio. E pouco falou da ação policial. Informou que até o final da semana poderia ter informações a dar ao jornal. Pediu que a reportagem ligasse no dia 2 de maio. Como combinado, a reportagem tentou contato por diversas vezes, porém não conseguiu falar com o delegado. Informações repassadas pela Delegacia dão conta de que Rodrigo passou a semana ouvindo depoimentos dos envolvidos no caso

Matéria publicada no Jornal O Ronco do Bugio, de Santa Rosa de Lima. Na edição do mês de maio.





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